Interface CTI – Um cenário de constante evolução marca a área de defensivos agrícolas biológicos no país, criando necessidades de pesquisa e de profissionais. Vários fatores convergem para isso, diz o presidente da ABCBio, Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, Pedro Faria Júnior. Entre eles, a  mudança de mentalidade de técnicos e agricultores convencidos da importância do manejo integrado de pragas (MIP), que envolve ações complementares associando o manejo, os defensivos químicos e os biológicos.

Outros componentes têm peso importante na mudança. Há um processo de esgotamento na  descoberta  de novas moléculas para desenvolver os defensivos químicos, explica, e um número reduzido delas em fase de registro, aguardando aprovação. Ao mesmo tempo, o aumento de resistência natural das pragas aos produtos sintéticos em uso abre espaço para os biológicos. Cresce, além disso, a preferência de consumidores e supermercados por produtos que não apresentem resíduos de  defensivos químicos, uma demanda mundial.

Pedro Faria nota que o domínio tecnológico das empresas brasileiras vem se aperfeiçoando. Várias empresas nacionais estão conseguindo competir em qualidade com os fabricantes internacionais quando se trata de produtos similares, e respondendo às exigências particulares da agricultura tropical com soluções próprias. Parte das tecnologias oferecidas por essas empresas nacionais surgiu a partir do trabalho realizado nos centros de pesquisa do país “O controle biológico ainda está em um estágio inicial de desenvolvimento, havendo, portanto, muito conhecimento a ser gerado nesse campo”, constata.

Mercado

O mercado global de defensivos biológicos vem crescendo a taxas de 15% nos últimos dez anos, segundo dados da CPL Business Consultants divulgados pela ABCBio. Em 2014 apresentou receitas de US$ 2,8 bilhões, com a América Latina respondendo por 13% do total. Na percepção da ABCBio, o mercado brasileiro deve crescer de 15% a 20% nos próximos anos

A  associação congrega 24 empresas das 51 registradas no Ministério da Agricultura com atuação nesse campo. Seus principais produtos são inseticidas, fungicidas e nematicidas. Existem 118 produtos registrados no MAPA, 83 deles microbiológicos ( fungos, bactérias e vírus) e 35 macrobiológicos ( parasitas, predadores e parasitoides)  As culturas que mais utilizam esses recursos são a soja e a cana. A associação reúne  empresas brasileiras, algumas delas jovens e formadas por pesquisadores das universidades, mas conta também com a participação de empresas multinacionais dedicadas ao agronegócio.

A disseminação do uso dos produtos biológicos encontra ainda resistência por parte de agricultores, avalia a entidade. “Há certo desconhecimento sobre as vantagens econômicas e os benefícios ambientais do uso de biodefensivos, mas essa barreira cultural vai sendo vencida”. A desconfiança em relação à eficiência dos produtos baseia-se na crença de que o controle biológico não é produzido de forma industrial. O presidente da ABCBio contesta: “existe muito profissionalismo desde o registro que comprova toda segurança e eficiência até a fabricação.”