Cissampelos-ovalifolia_ABCEvento comemora os 200 anos da vinda de Auguste Saint-Hilarie ao Brasil

Interface CTI – Simpósio marcado para a segunda quinzena de setembro, em Belo Horizonte (veja aqui)  reunirá especialistas da área de plantas medicinais brasileiras. O encontro deve apresentar cerca de 300 trabalhos inéditos e é considerado o maior do gênero no país. Mostra a pesquisa de ponta feita pela Universidade, em atividades como o avanço das tecnologias de identificação de substâncias, farmacologia, botânica ou genética. 

Mas os organizadores do XXIV Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil decidiram também destacar uma questão que trata das barreiras à inovação. O país não aproveita o conhecimento já existente sobre a biodiversidade brasileira, enfatiza a pesquisadora Maria das Graças Brandão, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, e do comitê de organização.

Por isso, em seu texto de  apresentação, o site do evento ressalta  “a necessidade urgente de aproveitamento adequado e conservação das plantas medicinais brasileiras”.

Tal conhecimento pode vir do saber tradicional, acumulado por povos nativos da América durante milhares de anos, observa, mas também do trabalho de naturalistas, como o francês August Saint-Hilaire, homenageado no encontro  quando se comemora a data de 200 anos de sua chegada ao Brasil. Em suas viagens por vários estados do Brasil e pelo Paraguai, Saint-Hilarie coletou e descreveu cerca de 7 mil espécies vegetais,  das quais 4.500 desconhecidas.

Muitas das informações que esses naturalistas, brasileiros e estrangeiros, colheram no século XIX sobre plantas úteis, ainda na presença de populações indígenas, e antes dos grandes desmatamentos trazidos com o progresso, podem ser indicadores importantes para a pesquisa. No entanto, a exploração sistemática desse conhecimento não se consolidou.

Em 2006, seguindo orientações da Organização Mundial de Saúde,  o governo federal promulgou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, visando o “acesso seguro e uso racional”  desses recursos. Em 2007, o SUS tornava disponíveis em sua rede de atendimento dois fitoterápicos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. Para tratamento de úlceras e gastrites (espinheira-santa) e para os sintomas da gripe (guaco) . Em 2012, doze medicamentos desse gênero constavam na rede do SUS. Embora o número tenha crescido ele é muito modesto quando se considera a biodiversidade brasileira, que detém parte expressiva das espécies vegetais do planeta.

Pelo mesmo critério, isto é, do potencial a ser explorado, a pesquisa da Universidade avança, porém está longe do que se poderia esperar. Maria da Graças nota que dos 300 trabalhos apresentados no Simpósio deste ano, nenhum traz pesquisas em fase de testes clínicos, o que significa um longo percurso a ser percorrido para chegar a eventuais resultados.  Essa realidade deve valer também, estima, para 80% da pesquisa que se faz com plantas medicinais no país. “Faltam recursos”, para que esses trabalhos sejam mais abrangentes e aprofundados, afirma a professora da UFMG, que é também coordenadora do CEPLAMT Centro Especializado em Plantas Aromáticas, Medicinais e Tóxicas, de Minas Gerais.

O evento acontecerá de 21 a 24 de setembro, no Minas Centro, em Belo Horizonte (MG) Saiba mais aqui.

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