• Os próximos verões podem chegar com uma novidade na área cosmética no que diz respeito à proteção contra os raios UVA e UVB: um protetor solar à base de própolis vermelha desenvolvido no Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), em Sergipe.
  • Os estudos, iniciados em 2013 por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Tiradentes (Unit) e da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), tem como objetivo verificar se a própolis vermelha possuía potencial para proteção de danos à pele exposta à ação de radiação solar.Juliana Cordeiro Cardoso, pesquisadora do Laboratório de Biomateriais, Ricardo Luiz Cavalcanti de Albuquerque Júnior, pesquisador do Laboratório de Morfologia e Patologia Experimental, e a aluna de mestrado Angela Alves demonstraram os possíveis mecanismos de proteção de uma formulação tópica que foi capaz de evitar a queimadura da pele e ajudar no processo de recuperação.“Descobrimos que a proteção acontece por causa das propriedades anti-inflamatória e antioxidante da própolis vermelha. Agora, nossa pesquisa está na fase de teste em humanos. A doutoranda Cinthia Meireles desenvolverá um protetor solar com base neste produto natural”, comenta Juliana Cardoso.
    Outra situação que possibilitou essa nova etapa das pesquisas foi a descoberta de uma benzofenona na composição química da própolis vermelha. A substância é encontrada também nos protetores solares comerciais e tem como função captar a radiação solar e transformá-la, evitando que haja dano ao DNA e a formação de possíveis doenças, a exemplo do câncer de pele.Neste mesmo estudo químico também foi identificada a presença de flavonoides, que são responsáveis pela ação antioxidante que o produto natural contém, fazendo com que a própolis vermelha tenha ação antienvelhecimento da pele. “O potencial antienvelhecimento será uma terceira etapa da pesquisa”, afirma a pesquisadora.O pedido de patente do produto já foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), e se alguma indústria se interessar, as negociações estão abertas.
  • Passada a fase de teste em animais, o próximo passo será desenvolver as pesquisas em humanos, o que deve ser iniciado ainda neste semestre. Tudo depende do sinal verde do Comitê de Ética da Universidade Tiradentes, que faz parte da Plataforma Brasil de Pesquisa do governo federal.Os primeiros testes da formulação foram realizados em peles de ratos para saber sobre a atividade antitumoral e, por exemplo, se causava algum tipo de irritação dérmica ou se deixava a pele pigmentada – já que a própolis tem cor vermelha. A irritação e a pigmentação não aconteceram. Pelo contrário, o uso foi benéfico e demonstrou o efeito quimioprotetor da substância, determinante para o inicio da fase em humanos. Na próxima fase uma das necessidades é identificar o fator de proteção solar, ou seja, encontrar aquele número que fica bem visível na embalagem e que indica o tempo de proteção.Ainda não há certeza de que o produto poderá ser comercializado já no verão de 2017. Após todos os testes em andamento e mesmo com a indústria se propondo a fabricar, outras análises precisarão ser realizadas, agora em relação à estabilidade do produto e ao prazo de validade.

    Ainda não há certeza de que o produto poderá ser comercializado já no verão de 2017. Após todos os testes em andamento e mesmo com a indústria se propondo a fabricar, outras análises precisarão ser realizadas, agora em relação à estabilidade do produto e ao prazo de validade.
    (Agência Gestão CT&I)