“Esse mercado deve se expandir para pequenas e médias corporações em razão de políticas públicas”

A necessidade de avaliar a sustentabilidade das atividades produtivas deve aumentar nos próximos anos, em resposta à crescente preocupação com o meio ambiente. Hoje, esses indicadores ainda são uma oferta pioneira, e em geral utilizados por grandes empresas para se adequar a padrões do comércio internacional ou a exigências de transparência em suas relações com a sociedade.

Foi a importância desses serviços que motivou a criação, em 2008, da DeltaCO2, no Parque Tecnológico de Piracicaba (SP), por um grupo de engenheiros agrônomos. Entre os itens de sua oferta a empresa relaciona a medição de índices de gás de efeito estufa (GEE), avaliação de estoques de carbono no solo, a identificação da chamada “pegada hídrica”, quando se mede o volume de água necessário para a produção, e análises da biodiversidade do solo. O trabalho complementar a esses estudos são propostas de ações para reduzir as causas que levaram a indicadores desfavoráveis.

Um exemplo de como se aplica a tecnologia, que está ligado à atuação da DeltaCO2, é a necessidade de identificar a pegada de carbono do biodiesel de soja. As análises percorrem todo o trajeto que começa no plantio da soja, passa pela produção, primeiro do óleo, depois do biodiesel e chega até o transporte do combustível ao o porto onde será entregue. O cálculo da pegada de carbono é feito com base em protocolos de emissões de gases de efeito estufa estabelecidos internacionalmente. Com esses indicadores é possível saber se a produção de biodiesel é de fato sustentável, isto é, em que escala essa produção também gera CO2 na atmosfera, comparando os resultados com os benefícios do combustível de fonte renovável. Ao mesmo tempo, permite a comparação com a produção de biodiesel de outros países.

Outras culturas são também candidatas em potencial a essas análises, como as de citrus e de cana-de-açúcar. “Esse mercado deve se expandir para pequenas e médias corporações em razão de políticas públicas, como o RENOVABIO, por exemplo”, explica Bruno Castigioni, integrante da equipe técnica da DeltaCO2.

Quando consideradas as diferentes etapas, o trabalho supõe a atuação de equipes multidisciplinares, das quais fazem parte engenheiros agrônomos, florestais, biólogos, sanitaristas, ou especialistas em ecologia.

“Vivemos um desafio constante, tendo em vista que as tecnologias de medição avançam de maneira muito rápida e nem sempre essas tecnologias se mostram eficientes para o nosso trabalho”, diz ele.

Do estudo saem as sugestões alternativas para correções no tratamento do solo ou nas técnicas de plantio, em busca da melhoria dos índices. Eles podem apontar para a utilização de fertilizantes organo minerais, reaproveitamento de resíduos agrícolas ou o emprego de técnicas de agricultura de precisão.

  O ano de 2007 é considerado um marco na onda de preocupações com o meio ambiente e com o aquecimento global. O IPCC (Intergovernmental Panel of Climate Change) divulgou então seu Quarto Relatório sobre Mudanças Climáticas, com alertas para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8ºC e 4,0º C até 2100.

No Brasil, instituições como a ESALQ/USP e CENA/USP que já se dedicavam a estudos sobre o assunto foram instadas a ampliar sua atuação. “A universidade não está preparada com pessoal e equipamentos para suprir essa enorme demanda e não é seu objetivo, realizar tais atividades de forma comercial”, lembra Castigioni, falando sobre o principal impulso para a criação da DeltaCO2.

Contexto

IPCC (Intergovernmental Panel of Climate Change)

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