Ampliar a oferta de alimentos e as receitas com exportações é hoje uma possibilidade promissora para o país quando se considera o potencial da produção animal na região Nordeste. Os recursos necessários para isso estão presentes: nos últimos anos os estados do nordeste formaram novas gerações de pesquisadores nas universidades, dedicados ao estudo da produção animal, em particular zootecnistas. Esse conhecimento vem avançando na busca de produtividade e de soluções específicas, levando em conta fatores como solo, clima, vegetação e sanidade. Ao mesmo tempo, existem áreas a serem exploradas, pela pecuária, por exemplo, enquanto nas regiões sudeste e sul os espaços são cada vez mais disputados pela agricultura.

Um dos principais fóruns para a discussão dessas questões é o Congresso Nordestino de Produção Animal, CNPA, que acontecerá de 28 a 30 de novembro, em Recife, promovido pela Sociedade Nordestina de Produção Animal, SNPA. Em sua décima quarta edição o evento cobre temas que vão do uso da palma forrageira para nutrição de bovinos até as inovações tecnológicas na alimentação de cães e gatos. Tilápias, camarões marinhos, apicultura, manejo de pastagens e suinocultura estão na pauta do encontro. (veja aqui o site do evento)

“É importante considerar que os cursos de Zootecnia são relativamente novos na região Nordeste, sobretudo quando se trata da formação de profissionais com conhecimentos dos aspectos locais, em especial, os do semiárido” explica a professora Safira Valença Bispo, presidente da Comissão Organizadora do Congresso. A pós-graduação também é recente, acrescenta, mas tem revelado produção científica expressiva. “Basta ver o aumento significativo no número de publicações científicas nas melhores revistas nacionais e internacionais contendo assuntos voltados a produção animal no Nordeste”.

Hoje a região mantém 22 cursos de graduação em Zootecnia, dos 113 existentes no país (veja aqui). No total nacional são cerca de 35 mil profissionais, segundo a Associação Brasileira de Zootecnistas, atuando em uma carreira que passou a se destacar entre as mais concorridas nos exames vestibulares (veja aqui).

o Nordeste tem características próprias que devem ser levadas em conta para efetivar esse potencial “mas precisa avançar mais na adoção de tecnologias apropriadas ”

Na linha do horizonte estão tecnologias emergentes que deverão impactar a profissão nos próximos anos, explica Marinaldo Divino Ribeiro, presidente da ABZ. Entre elas as chamadas ciências ômicas, isto é, genômica, proteômica e metabolômica; o uso de insetos na alimentação animal e humana; o melhoramento contínuo das espécies; a análise de impactos ambientais gerados pelos sistemas produtivos e o desenvolvimento de sistemas de gestão.

Tecnologias. Safira nota que o Nordeste tem características próprias que devem ser levadas em conta para efetivar esse potencial “mas precisa avançar mais na adoção de tecnologias apropriadas ”. Entre os gargalos, observa, está a existência de um elevado número de propriedades de pequeno e médio porte, não compatíveis com a exploração da pecuária extensiva ou semi-extensiva. Além disso ainda há pouca participação dos produtores em associações e cooperativas.
Notando que há falta de políticas públicas para a região, ela aponta também para a importância de uma mudança de mentalidade.
“Temos de sair do discurso construído ao longo dos anos de que as condições climáticas são o indutor dos fracassos da agropecuária da região. Não há no mundo evidências sobre essa formulação. Na Austrália, que tem quase todo seu território árido e semiárido, a pecuária é avançada tecnologicamente e o país um grande exportador de carne. Da mesma forma a Nova Zelândia, o sul dos Estrados Unidos são exemplos onde se encontra regiões desenvolvidas, mesmo tendo climas áridos.”

O Congresso é um componente da construção desse novo cenário. “Embora não se perceba de imediato o impacto dos conhecimentos gerados pelas Universidades no setor produtivo, certamente é o principal vetor responsável pelos avanços”, observa.
Durante o Congresso, os participantes poderão visitar a Petnor, Feira de Produtos e Serviços para Linha Pet e Animais de Produção, que acontece também de 28 a 30 de novembro. A Feira tem como foco os setores de saúde, nutrição, estética, equipamentos, acessórios, publicações e serviços.