É uma indústria nascente com o perfil certo para as exigências do século XXI. Responde ao mercado de forma sustentável e está inserida no modelo da bioeconomia. Além disso, tem potencial para gerar empregos e estimular empreendedores em busca de novos negócios. Em plena expansão, a produção brasileira de biodiesel bateu recorde em 2018 com 5,3 bilhões de litros, o que a situa como a segunda no mundo, depois dos Estados Unidos. Mas a expectativa é que ultrapasse em breve o primeiro colocado.

“Considerando que no Brasil podemos trabalhar a expansão da agricultura de alimentos junto com a agricultura de energia, sem competição por área e recursos, e levando em conta o aumento da competitividade do setor, a tendência é que o Brasil passe a ser também um exportador do biocombustível, gerando mais renda, empregos e desenvolvimento econômico para o país” afirma Bruno Galvêas Laviola, supervisor do Núcleo de Desenvolvimento Institucional da Embrapa Agroenergia.

Parte da evolução desse processo poderá ser vista na programação do VII Congresso da Rede de Tecnologia e Inovação do Biodiesel, de 4 a 7 de novembro, em Florianópolis (veja informações no site do evento). Laviola é um dos coordenadores do encontro que este ano tem como tema “Empreendedorismo e inovação: construindo um futuro competitivo para o biodiesel”. Dos anos iniciais até agora, diz ele, o setor deu um salto expressivo. Por volta de 2005 o Programa Nacional do Biodiesel estava ainda em seu início e a mistura de 2% de biodiesel ao diesel ainda não era obrigatória. A RBTB se estruturou reunindo competências para a pesquisa nos vários segmentos: matérias-primas, produção, uso, armazenamento e outras demandas. Hoje o percentual agregado ao combustível de origem fóssil está em 11% (B11) podendo chegar ao máximo de 15%. “A previsão é que a mistura mínima obrigatória continue avançando anualmente e chegue a 2023 em 15%”.

As duas principais fontes do biodiesel hoje são o óleo de soja e a gordura animal. Mas o país conta com a possibilidade de explorar vários tipos de oleaginosas para gerar combustível, como os óleos de palma, algodão, milho, canola, e uma lista que pode incorporar novos candidatos como a palmeira macaúba. “A diversificação das matérias-primas é uma oportunidade para o empreendedorismo”, nota. Quer seja diretamente no plantio dessas culturas nas fazendas, ou no aproveitamento de seus resíduos, ou ainda indiretamente, para empresas e startups que prestam serviços ou fornecem tecnologia para os diversos segmentos da cadeia.

O crescimento inevitável da demanda por biodiesel prevista para os próximos anos é uma garantia de que as oportunidades para empreender com viés na inovação irão se ampliar, assegura. E assim como se fala hoje na Revolução Industrial 4.0, a grande onda de mudança trará espaço para o Biodiesel 4.0.

Foto: Divulgação Embrapa